24 julho 2026

 A eternidade numa hora


Rubem Alves em sua obra *“A eternidade numa hora”* , nos traz um texto belíssimo, onde ele concentra uma ideia muito forte: a coragem não é ausência de medo, mas a decisão de viver apesar dele.

O texto contrapõe duas formas de existência. 

A primeira é a vida conduzida pela prudência excessiva, na qual o medo vai reduzindo escolhas, afetos e possibilidades. A segunda é a vida que aceita a vulnerabilidade e o risco como parte inevitável de amar, criar, sonhar e realizar.

 Ele escreveu: 

"Quem, por causa do medo, prefere o caminho prudente de fugir do risco, já nesse ato estará morto, porque o medo lhe terá roubado aquilo de mais precioso que existe na vida humana: a capacidade de se arriscar pra viver o que se ama. 

O medo não é uma perturbação psicológica, ele faz parte de nossa prórpia alma. O que é decisivo é se o medo ele nos faz rastejar, ou se nos faz voar. 

Quem por causa do medo se encolhe e rasteja, vive a morte na própria Vida. 

Quem, a despeito do medo, toma o risco e voa, triunfa sobre a morte. Morrerá quando a morte vier. Viver a vida aceitando o risco da morte: isso tem o nome de coragem." 

Coragem não é a ausência do medo, é viver a despeito do medo.

Não se trata de agir de maneira inconsequente. Trata-se de não permitir que o receio de perder nos impeça de experimentar aquilo que dá sentido à própria vida. Nesse pensamento, morrer não é apenas o encerramento biológico. 

Também existe uma morte interior, que acontece quando deixamos de viver por medo. 

É um texto especialmente maravilhoso, porque transforma a coragem em uma postura existencial: não esperar que o medo desapareça, mas seguir em frente mesmo sentindo sua presença.



Jonas Comin

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