A eternidade numa hora
Rubem Alves em sua obra *“A eternidade numa hora”* , nos traz um texto belíssimo, onde ele concentra uma ideia muito forte: a coragem não é ausência de medo, mas a decisão de viver apesar dele.
O texto contrapõe duas formas de existência.
A primeira é a vida conduzida
pela prudência excessiva, na qual o medo vai reduzindo escolhas, afetos e
possibilidades. A segunda é a vida que aceita a vulnerabilidade e o risco como
parte inevitável de amar, criar, sonhar e realizar.
"Quem, por causa do medo, prefere o caminho prudente de fugir do risco, já nesse ato estará morto, porque o medo lhe terá roubado aquilo de mais precioso que existe na vida humana: a capacidade de se arriscar pra viver o que se ama.
O medo não é uma perturbação psicológica, ele faz parte de nossa prórpia alma. O que é decisivo é se o medo ele nos faz rastejar, ou se nos faz voar.
Quem por causa do medo se encolhe e rasteja, vive a morte na própria Vida.
Quem, a despeito do medo, toma o risco e voa, triunfa sobre a morte. Morrerá quando a morte vier. Viver a vida aceitando o risco da morte: isso tem o nome de coragem."
Coragem não é a ausência do medo,
é viver a despeito do medo.
Não se trata de agir de maneira inconsequente. Trata-se de não permitir que o receio de perder nos impeça de experimentar aquilo que dá sentido à própria vida. Nesse pensamento, morrer não é apenas o encerramento biológico.
Também existe uma morte interior, que acontece quando deixamos de viver por medo.
É um texto especialmente maravilhoso, porque transforma a coragem em uma postura existencial: não esperar que o medo desapareça, mas seguir em frente mesmo sentindo sua presença.
Jonas Comin

Nenhum comentário:
Postar um comentário