27 julho 2026

 

Salomão e a verdadeira sabedoria

 

Salomão havia acabado de assumir o trono de Israel após a morte de seu pai, o Rei Davi. Ele era um jovem com cerca de 20 anos de idade  e estava diante da colossal tarefa de governar uma nação unida, próspera e em constante expansão.

Para adorar e oferecer sacrifícios a Deus, Salomão foi até Gibeão, que era o principal lugar de culto na época.

Naquela noite, Deus apareceu em sonho ao jovem rei Salomão e permitiu que ele pedisse o que desejasse.

Salomão poderia ter escolhido riquezas, longevidade ou a vitória sobre seus inimigos. Contudo, pediu um coração sábio e capaz de discernir entre o bem e o mal, para governar o povo com justiça.

A escolha de Salomão agradou a Deus, que lhe concedeu não apenas sabedoria, mas também honra e prosperidade.

Ao retornar para Jerusalém, a sabedoria dada por Deus a Salomão foi colocada à prova.

Em seu primeiro grande julgamento narrado nas Sagradas Escrituras, duas mulheres afirmavam ser mães da mesma criança.

Como não havia testemunhas, o rei ordenou que o menino fosse dividido ao meio e entregue em partes iguais. Diante da sentença, uma das mulheres concordou, enquanto a outra, desesperada, preferiu entregar o filho à rival para que ele permanecesse vivo.

Salomão reconheceu imediatamente a verdadeira mãe.

Sua decisão não se baseou apenas nas palavras das mulheres, mas na compreensão da natureza humana e do amor materno, que prefere renunciar à posse a permitir a destruição daquele que ama.

O julgamento de Salomão tornou-se um símbolo eterno de justiça e discernimento.

A verdadeira sabedoria não consiste apenas em conhecer as leis, mas em compreender o coração humano e enxergar a verdade que se esconde além das aparências.

Baseado na Bíblia em 1 Reis 3:5-28.

Jonas Comin  

24 julho 2026

 A eternidade numa hora


Rubem Alves em sua obra *“A eternidade numa hora”* , nos traz um texto belíssimo, onde ele concentra uma ideia muito forte: a coragem não é ausência de medo, mas a decisão de viver apesar dele.

O texto contrapõe duas formas de existência. 

A primeira é a vida conduzida pela prudência excessiva, na qual o medo vai reduzindo escolhas, afetos e possibilidades. A segunda é a vida que aceita a vulnerabilidade e o risco como parte inevitável de amar, criar, sonhar e realizar.

 Ele escreveu: 

"Quem, por causa do medo, prefere o caminho prudente de fugir do risco, já nesse ato estará morto, porque o medo lhe terá roubado aquilo de mais precioso que existe na vida humana: a capacidade de se arriscar pra viver o que se ama. 

O medo não é uma perturbação psicológica, ele faz parte de nossa prórpia alma. O que é decisivo é se o medo ele nos faz rastejar, ou se nos faz voar. 

Quem por causa do medo se encolhe e rasteja, vive a morte na própria Vida. 

Quem, a despeito do medo, toma o risco e voa, triunfa sobre a morte. Morrerá quando a morte vier. Viver a vida aceitando o risco da morte: isso tem o nome de coragem." 

Coragem não é a ausência do medo, é viver a despeito do medo.

Não se trata de agir de maneira inconsequente. Trata-se de não permitir que o receio de perder nos impeça de experimentar aquilo que dá sentido à própria vida. Nesse pensamento, morrer não é apenas o encerramento biológico. 

Também existe uma morte interior, que acontece quando deixamos de viver por medo. 

É um texto especialmente maravilhoso, porque transforma a coragem em uma postura existencial: não esperar que o medo desapareça, mas seguir em frente mesmo sentindo sua presença.



Jonas Comin