A realidade que não existe
Os reality shows são
o espelho mais distorcido da vida moderna. Perda de tempo para quem busca
entretenimento verdadeiro. Há tantos filmes ricos em história, documentários
inspiradores, dramas, comédias e produções que realmente fazem pensar.
O reality show, em
comparação, é raso.
Vende emoção, mas
entrega manipulação. Nada ali é real. Mostra “a vida como ela é”, mas cada
gesto, olhar e lágrima é roteirizado. O público acredita estar vendo a essência
humana, quando na verdade assiste a uma encenação meticulosamente montada para
gerar audiência e lucro.
Há versões que
colocam e expoem pessoas jovens ou maduras, com histórias reais e sentimentos
sinceros, dentro de um cenário artificial que promete amor e reconciliação como
mágica. Mas tudo é calibrado, armado, ensaiado. As falas, os cortes e até as
“coincidências” de afinidade são conduzidos nos bastidores. Regras absurdas,
expulsões forçadas e castigos desumanos fazem parte do espetáculo.
A emoção é vendida
como espontânea, mas é cuidadosamente editada para manter o espectador preso ao
sofá. O resultado é um entretenimento pobre, vazio e superficial.
O problema não está
no lazer, e sim no que ele provoca na percepção das pessoas. Esses programas
mostram uma versão editada da vida e fazem o público acreditar que
relacionamentos, sucesso e superação seguem um roteiro pronto. Isso afeta as
relações reais, cria expectativas impossíveis e distorce o senso de verdade. Há
muitos que insinuam que o “show” é um “experimento de comportamento humano”: um
verdadeiro absurdo!
Mas a vida real não é
assim.
A vida é imperfeita,
cheia de pausas, desvios, alegrias, tristezas, surpresas, frustrações e
silêncios. E é justamente nisso que mora a beleza da existência.
Quando a TV e o
streaming impõem o ritmo da ficção sobre o cotidiano, o ser humano passa a se
sentir insuficiente, como se não vivesse o bastante, não amasse o bastante, não
brilhasse o bastante.
É bom lembrar:
reality show não é vida. É produto. É entretenimento. Muitas vezes, uma fábrica
de ilusões disfarçada de sinceridade. Quem confunde espetáculo com realidade
acaba vivendo num palco vazio, esperando aplausos que nunca vêm. E pobres das
pessoas que se sujeitam a isso em troca de fama passageira, expostas a uma
sociedade já saturada de aparências.
Hoje, o bombardeio é
ainda maior. As redes sociais ampliaram esse teatro da vaidade. Nelas, todos
querem parecer infalíveis, bem-sucedidos, cercados de luxo e alegria
permanente. Mas a vida não é isso.
A vida é feita de
altos e baixos, como uma onda senoidal, ora em alta, ora em baixa. E está tudo
bem assim. A vida real vale muito a
pena!
Jonas Comin
“Em uma sociedade
onde tudo é exibido, a realidade se torna um espetáculo, e o espetáculo
substitui a própria vida.” - Guy Debord, A Sociedade do Espetáculo